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08 setembro, 2008

Contra a xenofobia



Tu Cristo es judío
Tu escritura latina
Tus números son árabes
Tu democracia es griega
Tu equipo de música es japonés
Tu balón es de Corea
Tu videoconsola es de Hong Kong
Tu camisa es de Tailandia
Tus estrellas futbolísticas son de Brasil
Tu reloj es suizo
Tu pizza es italiana

¿Y tú... eres el que mira a ese
trabajador inmigrante como un
despreciable extranjero?

20 novembro, 2007

Dia da Consciência Negra

A propósito do dia da Consciência Negra, resolvi reproduzir o comentário que Felipe Barcellos, do excelente blog Pai de Menina fez a respeito do post "Espectadores de Calamidades-I":

Comecei minha vida de “negro pop” na MTV Brasil, em 1991. Eu era o apresentador do programa YO MTV RAPS! e trazia um novo conceito de negro na tela - eu escrevia meu próprio texto, selecionava o conteúdo que era veiculado, não falava de samba, negritude ou escravidão e defendia a beleza negra apenas como “beleza”.

Os negros me odiaram. Muitos. Muitos queriam um negro paulistano da perifeiria, falando sem plural e terminando as frases com um habitual “Tá ligado, Mano?”.

Não. Não foi apra ser estereótipo da mediocridade que eu me debricei em leituras e em entender o mundo que me cerca. Não foi para glorificar o gueto e sua suposta cultura que eu fui botar a cara a tapa na TV.

Desde então ficou claro para mim que a imagem do negro na TV ou qualquer outro tipo de mídia de massa (e mesmo na cena acadêmica) sempre foi associada ao discurso do coitado, daquele que precisa carregar o estigma de viver num país de culpa e que pretende compensar uma demografia pelo “erro histórico da escravidão”.

Hoje, acredito que nenhuma imagem produzida com atores e modelos negros deva ser questionada ou proibida. São os próprios profissionais negros que precisam definir quais são os limites que aceitam encarar em suas expressões artísticas. Caso contrário, corremos o risco de limitar as possibilidades de manifestações estéticas aquelas que são politicamente corretas.

A lição do que é estética, cultura e exploracão de imagem deve começar em casa. Em famílias com boa estrutura s´cio-cultural fica mais fácil levantar a discussão e definir um discurso que permita ao jovem negro a transitar entre os os elementos midiáticos de nosso tempo.

Agora imaginem tal situação acontecendo em uma mesa familiar em um barraco de dois cômodos em uma das imúmeras favelas que nos cercam?

Discutir sobre ter o que comer e a necessidade de sobreviver (ruídos de tiros e gritos no lado de fora da parede do barraco...) não deixa muito espaço para reflexões sobre auto-estima, estética e ética. O mesmo vale quando o garoto ou garota descobre que pelo menos os primeiros 18 anos de sua vida serão dedicados a fingir que não são subjugados pelo cano de um fuzil carregado, portado por um “igual”.

Imagine aquele que resolve abrir mão das gírias da favela, do ar malandro, dos ícones de poder que florescem na miséria (financeira, intelectual). Pior, imagine aqueles que preferem ter prazer sem rótulos, com meninos e meninas?

As manifestações culturais dos negros brasileiros são extremamente preconceituosas. A começar pelo culto ao carnaval, palco ideal para o palhaço negro perder espaço para os destaques brancos nos carros alegóricos. No futebol o caminho é o mesmo: Kaka é gênio, bem vestido, com ótma cultura geral.

Robinho? Robinho é um neguinho que vive na Europa, não é patrocindo pela Armani, e conseguiu a façanha de reproduzir em sua mansão uma favela brasileira típica, com direito a barulho, churrasco de carne torrada, pagode e nenhum compromisso com evolução intelectual.

Ou seja, fica difícil para uma modelo iniciante ter referências suficientes para questionar seu papel em um ensaio que supostamente agrediria sua posição social. Fica difícil para uma modelo iniciante negra recusar trabalho. Fica difícil para uma modelo negra entender que modelar pode ser uma forma de expressão crítica, mas para que ela possa passar esse ferramental em uma sessão de fotos, precisará de refererências para que seus gestos, postura e olhar possam dialogar dialéticamente com o conceito da fotógrafa.

Sem a capacidade de refletir sobre o seu papel na foto, a modelo negra em questão não passará de um cabide. Um pedaço de coisa. Daí, claro, pode ser disposta em um set de fotografia como um objeto qualquer.

E isso vale para aqueles que perseguem cotas na universidade, para atletas que moram ao lado dos museus e escolas de pensamento e arte mais importantes do mundo e nunca adentraram tais prédios, para atores negros que ainda insistem em aceitar papéis de bandidos e favelados, par executivos negros que não se impoem às barreiras que achatam salários e oportunidades de crescimento profissional.

Mas enquanto “nossos neguinhos e neguinhas” acharem que o canal de expressão mais autêntico e original sobre a existência negra do brasileiro for a cópia mal-feita da cena hip-hop americana, e as mal traçadas rimas de Mano Brown e companhia, que em 2007 ainda insistem que quem goza com quem quer é puta, que mulher tem que lavar a louça, que mães e irmãs são santas intocáveis que não batem siririca nem gozam fora de seus relacionamentos, que usar o plural e evitar bordões tornam um homem negro menos “truta”, e que a bandidagem é o único caminho para o sucesso financeiro para as “pessoas de cor” não vejo muita chance de algo melhorar.


A discussão sobre a aceitacão do negro hoje em dia não é mais social ou financeira. Racismo? Coisa de burro. Os negros precisam criar valor e serem lembrados por seus feitos. Quantos designers negros você lembra? Quantos carros ou eletrônicos de consumo você associa a criação por negros? Imagine se a Apple e seu símbolo máximo fosse um jovem negro? Se você encontrasse bens indústriais africanos espalhados pelo mundo inteiro e que refletissem em sua execução uma imagem de excelência, inovação e eficácia, não associaria imediatamente à imagem da etnia mais comum naquele continente? Não é isso que fazemos quanto aos escandinavos, alemães, japoneses, coreanos e chineses?

Acho que os negros brasileiros precisam, antes de tudo, crescer e aparecer, para que possam questionar pelas próprias pernas o uso que se faz de sua imagem como ferramenta midiática que perpetua a submissão a quem estiver no topo.



Pra terminar, imagens dos negros na publicidade da Benetton, nos anos 90. Imagens muitos bonitas, muito bem-produzidas, mas nem sempre éticas:




[o estereótipo: o anjo loiro, o demônio negro]




[a mucama amamentando o sinhôzinho?]

29 outubro, 2007

Ser ou não ser

Ser homossexual é ou não uma questão de escolha? Para o Ministério da Igualdade de Oportunidades, na Toscana, Itália, não é escolha. Tanto que sua mais recente campanha publicitária estremeceu os conservadores tanto na Itália quanto fora dela. Trata-se de uma foto de um bebê (veja abaixo), cuja pulseira de identificação traz, ao invés do nome, a palavra por tantos temida: Homossexual. Ao lado, uma frase resume tudo: Orientação sexual não é escolha.

Se é uma questão de opção ou se não é, não sei, mas tenho lá minhas teorias e como não sou cientista ou algo que o valha, não vou ficar discutindo-as aqui. Mas uma coisa, é certa: existe escolha para outras coisas. Você pode escolher ser ou não homofóbico. Você pode escolher ser ou não preconceituoso. Você pode ou não se arvorar de juiz da vida alheia a julgar quem quer que seja pelo que faz na intimidade de quatro paredes.

Abomino o preconceito, seja ele de que espécie for e abomino a homofobia com um grau a mais de indignação. Tenho bons amigos gays, bi e pansexuais. Um dos casamentos mais lindos que já vi na vida foi o de um casal de amigos, sim dois homens, no qual fui madrinha. Desse mesmo casal tenho uma fotografia de um dos beijos mais ternos e cheio de encantamento. E por que isso choca? Sinceramente, não sei. Mas desconfio.

Muitas pessoas são mal resolvidas com seus medos, com sua própria sexualidade, com suas dúvidas a respeito da vida. Para ter segurança, buscam uma âncora que pode ser a moral, a religião, o preconceito, a política, seja o que for. Tudo na vida pode servir de muleta. Se agarrando a qualquer âncora é mais fácil acreditar em verdades pré-estabelecidas e daí, se perde o olhar amoroso pelo outro. Não vou falar de tolerância porque detesto essa palavra. Tolerância, na minha opinião, sustenta um gesto de arrogância de alguém que se acha superior ao outro e, por isso, o "tolera". Prefiro mesmo falar em olhar amoroso.

Gostei da campanha italiana. O ponteiro ético que me norteia aprova-a. A imagem discursa contra a discriminação de forma ao mesmo tempo contundente e comovente. Exige uma atitude de respeito à vida, às escolhas, à natureza humana, essa tão frágil e tão forte, tão conhecida e, ao mesmo tempo, tão misteriosa. O bebê rotulado (que já ganhou fama como o "bebê gay") pede um fim às gavetas e etiquetas com que se costuma marcar os outros. Lembra que é apenas uma criança, do mesmo modo que um homem ou mulher "gays" são, antes de qualquer coisa, um homem e uma mulher.