03 Julho, 2009

Sem Rodrigo de Souza Leão


(1965-2009)

Para saber do poeta, nada melhor que sua obra e duas datas: nascimento e morte. E, claro, a ausência que deixa entre os seus.
Não conheci Rodrigo. Trocamos pouquíssimos e-mails. Dois, três? Mas a força de sua poética falará mais alto que sua morte:

LOUCO.
Já fui gordo. Já fui magro.
Já fui ego. Já fui id.

Já fui o que quis e o que não quis.

Já fui muito. Já fui pouco.

Hoje tenho a sensação
que não passei de um louco.

A Casa das Rosas homenageia o poeta próximo dia 09 de julho, em recital com Claudio Daniel, Virna Teixeira, Horacio Costa, entre outros, às 19 horas.

Para ler uma entrevista com Rodrigo, clique aqui

01 Julho, 2009



de Sócrates a Jesus, de Kurt Cobain a Michael Jackson, o público ainda precisa da carne, alma e sangue dos seus ídolos.

ah... estou (com alguns dias) de férias.

18 Junho, 2009

um exercício de poesia

a propósito de um poema de Jacques Prèvert...


e aqui, o poema:

Deux et deux quatre
quatre et quatre huit
huit et huit font seize...
Répétez! dit le maître
Deux et deux quatre
quatre et quatre huit
huit et huit font seize.
Mais voilà l'oiseau-lyre qui passe dans le ciel
l'enfant le voit
l'enfant l'entend
l'enfant l'appelle:
Sauve-moi joue avec moi oiseau!
Alors l'oiseau descend
et joue avec l'enfant
Deux et deux quatre...
Répétez! dit le maître
et l'enfant joue
l'oiseau joue avec lui...
Quatre et quatre huit
huit et huit font seize
et seize et seize qu'est-ce qu'ils font?
Ils ne font rien seize et seize
et surtout pas trente-deux de toute façon
et ils s'en vont.
Et l'enfant a caché l'oiseau dans son pupitre
et tous les enfants entendent sa chanson
et tous les enfants entendent la musique
et huit et huit à leur tour s'en vont
et quatre et quatre et deux et deux
à leur tour fichent le camp
et un et un ne font ni une ni deux
un à un s'en vont également.
Et l'oiseau-lyre joue
et l'enfant chante
et le professeur crie:
Quand vous aurez fini de faire le pitre!
Mais tous les autres enfants écoutent la musique
et les murs de la classe s'écroulent tranquillement
Et les vitres redeviennent sable
l'encre redevient eau
les pupitres redeviennent arbres
la craie redevient falaise
le porte-plume redevient oiseau.

17 Junho, 2009

Em tempo- I

De hoje até o dia 21 de junho, estarei fazendo a abertura do Antídoto, Seminário Internacional de Ações Culturais em Zonas de Conflito, no Instituto Itaú Cultural.

O Antídoto é uma ação conjunta do IC com o grupo AfroReggae e discute temas mais que pertinentes, urgentes nesse nosso conturbado século XXI.

Durante esses cinco dias lerei o texto África e Sertão - à Maneira de um Manifesto.

Na programação, entre outras coisas, o espetáculo Mercadorias e Futuros, do meu compadre Lirinha e a peça Mulher Asfalto, da atriz e diretora moçambicana Lucrécia Paco.

Para quem está na terra da garoa é programa obrigatório, sim?

Para ler o Manifesto e espiar a programação completa, clique aqui.

Em tempo- II

A revista Diversos Afins convidou e eu aceitei. Esse mês tem uma leva de poemas meus nessa revista interessantíssima e instigante. Acompanhem!

Para ler a Diversos Afins, clique aqui.

Em tempo- III

Para quem não sabe, sou uma das apaixonada nacionais por futebol, embora meu time do coração, o Santinha, quase me faça infartar.

A revista eletrônica Gol de Letras convidou e eu aceitei. Tem um conto meu sobre futebol na revista.

Para ler Um a Um, clique aqui.

Em tempo-IV

Sei que estou atrasada na postagem de todas essas novidades. Peço perdão. Pra quem não sabe, estou com mais um bebê na minha vida, que ficou muito mais emocionante do que já era.

08 Junho, 2009

Platão estava certo...




os poetas são uma ameaça à República e à ordem estabelecida, a julgar pela recente caça às bruxas que retirou das bibliotecas escolares de São Paulo obras de Manoel de Barros, Tim Burton, e ainda uma coletânea que escandalizou as professorinhas por conta de um poema de Joca Reiners Terron.

Seguindo São Paulo, a secretaria de educação de Santa Catarina retirou de suas estantes o romance Aventuras Provisórias, de Cristovão Tezza.

Erotismo, incitação a violência e pornografia são algumas das justificativas que os governos dão para o recolhimentos dos livros.

Ora! Se os maiores motivos são esses, que tal recolher 98% da literatura ocidental dos últimos séculos? Poderíamos começar pela Bíblia, com aquele amontoados de traições, infidelidades, estupros, fratricídios, entre outros maus exemplos para a juventude.

Poderíamos também fazer grandes fogueiras em praças públicas com os livros de Jorge Amado, Hilda Hilst, Carlos Drummond de Andrade, Rachel de Queiroz, só para citar alguns dos maus elementos nacionais.

Poderíamos até incluir esse espetáculo como atração da Virada Cultural. Poderia se chamar Queimada Cultural, à falta de criatividade para um nome melhor ou menos autoreferente.

Enfim, poderíamos feito patinhos otários cair na boca do grande crocodilo e queimar dinheiro público esturricando poetas e prosadores, sem distinção, pois, com certeza isso dá muito menos trabalho que EDUCAR.

Educar professores e técnicos em educação analfabetos funcionais que leem mas não sabem contextualizar e menos ainda transpor os frutos da experiência literária para a sala de aula.

Educar crianças e adolescentes de modo a se tornarem leitores críticos e poderosos.

EDUCAR a sociedade para a leitura do mundo ao seu redor.

Enquanto a grande queimada não vem, continuemos a prensar livros que ensinam que letra de música popular é poesia e a nos lamentar pelo baixo nível cultural do brasileiro. Continuemos a nos pautar pela Veja e similares como bússola do ideario nacional. Continuemos a dar uma educação carne de terceira para nossas crianças e jovens. Pois é sempre mais fácil ter medo da literatura do que das manchetes dos grandes jornais.

De minha parte, que fui apresentada ao mundo das tensões, tesões e contradições da alma humana pelas mãos da minha mãe que leu Dom Casmurro para mim quando eu tinha entre 9 e 10 anos de idade, dou vivas ao Marquês de Sade!

E viva eu e viva tu e viva o rabo do tatu, não é mesmo?!

Abaixo, o poema de Joca e links para mais notícias sobre essa estupidez.


Manual de auto-ajuda para supervilões

Ao nascer, aproveite seu próprio umbigo e estrangule toda a equipe médica.
É melhor não deixar testemunhas.

Não vá se entusiasmar e matar sua mãe.
Até mesmo supervilões precisam ter mães.

Se recuse a mamar no peito. Isso amolece qualquer um.

Não tenha pai. Um supervilão nunca tem pai.

Afogue repetidas vezes seu patinho de borracha na banheira,
assim sua técnica evoluirá.
Não se preocupe. Patos abundam por aí.

Escolha bem seu nome. Maurício, por exemplo.

Ou Malcolm.

Evite desde o início os bem intencionados. Eles são super-chatos.

Deixe os idiotas uivarem. Eles sempre uivam, mesmo quando não
podem mais abrir a boca.

Odeie. Assim, por esporte.
E torça por time nenhum.

Aprenda a cantar samba, rap e jogar dama. Pode ser muito útil na cadeia.
Principalmente brincar de dama.

Ginga e lábia, com ardor. Estômago em lugar de coração,
pedra no rim em vez de alma.

Tome drogas. É sempre aconselhável ver o panorama do alto.

Fale cuspindo. Super-heróis odeiam isso.

Pactos existem para serem quebrados. Mesmo que sejam com o diabo.

Nunca ame ninguém. Estupre.

Execre o amável. Zele pelo abominável.

Seja um pouco efeminado.
Isto sempre funciona com estilistas.

[ in, "Poesia do Dia - Poetas de Hoje para Leitores de Agora", org. Leandro Sarmatz, Ática, SP, 2008 ]

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30 Maio, 2009

Simpoesia 2009 - II Simpósio de Poesia Contemporânea


Experiência literária de quatro dias que reunirá vozes das mais relevantes da poesia e da crítica literária internacional, além de uma feira de editoras independentes de poesia do Brasil e Argentina promovida pela revista Grumo.
Um encontro que envolve a troca de idéias, a exposição da diversidade intelectual e o intercâmbio artístico e cultural entre diversas expressões da poesia contemporânea.

Curadoria: Virna Teixeira


PROGRAMAÇÃO:

04 DE JUNHO

19:30h - Apresentação e abertura do evento

20h - Recital com Horácio Costa, Maria Esther Maciel, Micheliny Verunschk, Alfredo Fressia, Virna Teixeira

21h - Show: Polivox, com Rodrigo Garcia Lopes

Local: Casa das Rosas


05 DE JUNHO

19:30h - Debate: Editoras Independentes de Poesia
Com: Gustavo López, Virna Teixeira e Vanderley Mendonça.
Mediação: Paloma Vidal

21h - Recital: Rodolfo Hasler, Rodrigo de Haro, Efrain Rodrigues Santana, Luís Serguilha, Victor Sosa.

Após o recital haverá o lançamento da revista Grumo.

Local: Instituto Cervantes


06 DE JUNHO

COLÓQUIO – POETAS DE LÍNGUA INGLESA

14:30h - Debate: Brazilian poetry in translation.
Com Steven Buttermann, Stefan Tobler, Flávia Rocha e Rodrigo Garcia Lopes.

16h - Palestra: Language poetry
Professor William Alegrezza

17h - Palestra-Editing Contemporary Poetry – Litmus Press Experience
Com E.Tracy Grinnell e Julian Brodanski

18h - Recital- Poetry reading
Com William Allegrezza, Tracy Grinnell, Julian Brodanski e Stefan Tobler.
Stefan Tobler lerá traduções para o inglês do poeta Antônio Moura. Os demais poetas serão traduzidos para o português por Virna Teixeira.

19h - Poesia: palavra impacto. Palestra com Frederico Barbosa

20h - Recital: Sérgio Medeiros, Carlos Augusto Lima, Marco Vasques, Silvia Iglesias, Tatiana Fraga, Marcelo Tápia.

21h - Show: grupo de jazz Patavinas

Local: Casa das Rosas


07 DE JUNHO

16h - Debate: Poesia, Sadomasoquismo e Diversidade Sexual.
Com: Steven Buttermann, Antônio Vicente Pietroforte e Glauco Mattoso.
Mediação: Contador Borges

17h30 - Debate-Poesia e Fronteiras Geográficas
Com Silvia Iglesias, Carlos Augusto Lima e Marco Vasques
Mediação: Edson Cruz

19h - Recital: Edson Cruz, Contador Borges, Andréa Catrópa, Luis Roberto Guedes, Donny Correia, Antônio Vicente Pietroforte, Greta Benitez.

Local: Casa das Rosas


Convidados Internacionais:

Alfredo Fressia (Uruguai)
Efraín Rodríguez Santana (Cuba)
Julian Brodanski (EUA)
Luís Serguilha (Portugal)
Gustavo López (Argentina)
Rodolfo Hasler (Espanha)
Silvia Iglesias (Argentina)
Stefan Tobler (Inglaterra)
Steven Butterman (EUA)
Tracy Grinnell (EUA)
Victor Sosa (México)
William Alegrezza (EUA)

Convidados brasileiros:

Andréa Catrópa
Antônio Vicente Pietroforte
Carlos Augusto Lima
Contador Borges
Donny Correia
Edson Cruz
Flávia Rocha
Frederico Barbosa
Glauco Mattoso
Greta Benitez
Horácio Costa
Luís Roberto Guedes
Marcelo Tápia
Marco Vasques
Maria Esther Maciel
Micheliny Verunschk
Paloma Vidal
Sérgio Medeiros
Rodrigo Garcia Lopes
Rodrigo de Haro
Tatiana Fraga
Virna Teixeira

SITE DO EVENTO: WWW.SIMPOESIA.WORDPRESS.COM


SERVIÇO

Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura
Av. Paulista, 37 - Bela Vista
F: (11) 3285-6986
contato.cr@poiesis.org.br
www.casadasrosas-sp.org.br
Estacionamento conveniado Patropi: Al. Santos, 74

Instituto Cervantes
Av. Paulista, 2439 / 7º
Bela Vista - São Paulo
01311-300 - SP
Tel.: 55 11 3897 96 00
Fax.: 55 11 3064 22 03
informasao@cervantes.es

14 Maio, 2009

La Golondrina



Uma pungente e bela canção de exílio.

A donde irá veloz y fatigada
la golondrina que de aquí se va
por si en el viento se hallara extraviada
buscando abrigo y no lo encontrara.

Junto a mi lecho le pondré su nido
en donde pueda la estación pasar
también yo estoy en la región perdido
oh, Cielo Santo! y sin poder volar.

Deje también mi patria idolatrada
esa mansión que me miró nacer
mi vida es hoy errante y angustida
y ya no puedo a mi mansión volver.

Ave querida amada peregrina
mi corazón al tuyo acercare
voy recordando tierna golondrina
recordare mi patria y llorare.

Na revista Globo Rural desse mês...

... O conto que fiz para o meu avô, Isaías.


Para ler O Velho e a Vaca, clique aqui.