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28 maio, 2011

Mãe de Umbigo-Parteiras da Amazônia

Linda exposição sobre parteiras do norte do país. Minhas crianças amaram. Se identificaram, né? Afinal, as duas nasceram das mãos de uma parteira. No Sesc Pompeia até fins de junho. Quem estiver em São Paulo, não perca!






11 março, 2011

Precisava de um poema para não morrer


1. Do princípio das coisas - Gostaria de começar esse texto dizendo: “Fui amiga de Elizabeth Bishop, trocávamos cartas. Algumas das três mil cartas que deixou, eram endereçadas a mim”. Mas, por um desses lapsos do tempo e do destino, quando eu nasci ela já havia completado 61 anos e quando ela morreu eu ainda nem pensava que seria meu o ofício da poesia...

Quer continuar lendo?

Clique em Suplemento Pernambuco.

22 agosto, 2009

Sobre ciberfeminismo




O contágio quente da febre do milênio funde retrô com futuro, catapultando corpos com órgãos na tecno-utopia... Onde o código dita o prazer e satisfaz o desejo. Aplicativos pretensiosos adornam minha garganta. Eu sou as cadeias de binários. Eu sou puro artifício. Apenas leia minhas memórias. Carregue-me em sua imaginação pornográfica. Escreva-me. A identidade explode em formas múltiplas e infiltra o sistema pela raiz. Partes inomináveis não íntegras causam curto-circuito nos programas de reconhecimento de código atirando agentes de vigilância no hiperespaço, o qual cospe milhões de bits de dados corruptos, enquanto estes são tomados por ataques de pânico esquizofrênicos e viajam no terror. E o que o novo milênio tem a oferecer às massas imundas sem modem? Água fresca onipresente? A simulação tem seus limites (...) Estamos beirando o insano e os vândalos estão bombando. Estenda meu fenótipo, criança, me dê um pouco daquela java-magia negra que você sempre alardeia. (Eu vou arreganhar meu modem). Os extropianos estavam errados, existem algumas coisas que você não pode transcender. O prazer está na desmaterialização. A delegação do desejo. Nós somos o acidente perverso que caiu no seu sistema enquanto você estava dormindo. E quando acordar iremos exterminar suas ilusões digitais, sequestrando o seu software impecável. Seus dedos sondam minha rede neural. A sensação latejante nas pontas dos seus dedos são minhas sinapses respondendo ao seu toque. Não é química, é eletricidade. Pare de me acariciar.

(trecho do Bitch Mutant Manifesto,VNS MATRIX, 1996)

imagem: em Fineart America

05 março, 2009

o céu dos hipócritas

Li, uma certa vez, não lembro onde, que se os homens pudessem engravidar o aborto seria um sacramento. Acredito que sim, sem dúvida seria. Não sou militante pró-aborto, mas acredito que as pessoas têm direito, de fato, ao livre arbítrio e a conviver com as escolhas que tomam com consciência. Mas não é disso que venho falar, mas da postura surpreendente do arcebispo de Olinda e Recife ao excomungar os envolvidos no aborto realizado numa menina de 9 anos, estuprada continuamente pelo padrasto desde os 6, e grávida de gêmeos. Uma criança que, sem dúvida, se tivesse livre arbítrio não escolheria outro caminho senão o do aborto.

Quem, em sã consciência, aprovaria uma gravidez dessas em nome de um deus fanático por sacrifícios? Ah, claro, os patriarcas da Igreja Católica, guardiães da fé e bons costumes e mais ainda de pedófilos entre outros pervertidos.

Nunca apreciei esse D. José Cardoso e sua ânsia pela polêmica e pela mídia. Ele e a instituição  que ele representa  se afastam cada vez mais dos princípios da humildade, generosidade e acolhimento que se lê nos Evangelhos. A defesa dos inocentes, o partidarismo pelos mais frágeis passa longe dos interesses  dessa igreja.

Culturalmente, como grande parte do Ocidente, sou cristã. Mas apenas culturalmente, nada além disso. Deixei esses arroubos quando ouvi um dia o padre da minha cidade (que inclusive é vizinha do município em que esse crime aconteceu) dizer que rasgaria "certidões de batismo" daqueles que não quisessem ser "missionários" (claro, com todo o dramalhão e péssima atuação a que ele, mais que canastrão, tinha direito).

Na minha cidade, nas periferias não é raro que meninas com menos de 15 anos se prostituam e/ou engravidem (vítimas de abuso, sempre). Mas isso só é da conta da igreja se alguém decide ajudá-las com um aborto e, claro, se isso chega à mídia. De outro modo, o silêncio da sociedade e da igreja é "sepulcral". Claro que isso não é "privilégio" da minha cidade ou do Nordeste. Acontece em todo lugar. Mas nem todos têm "líderes espirituais" tão estúpidos quanto esse.

Quanto a essa excomunhão, na verdade ela é uma benção. Pois quem gostaria de estar no "céu dos hipócritas"?

Sobre o caso, clique aqui.

18 outubro, 2008

Eloá

Para mim, não há como não ligar a triste e trágica história da menina Eloá Cristina, de Santo André, São Paulo, à da outra Eloá, personagem do poeta e novelista romântico francês Alfred de Vigny.

Publicado em 1824, esse poema narrativo conta a história de Eloá, anjo  nascido de uma lágrima de Cristo, a lágrima que ele derramou pela morte do amigo Lázaro. Vivendo no céu, Eloá não se contentava e queria, a todo custo, consolar as almas sofredoras do inferno e, quem sabe, até salvá-las. Um dia, encontra um anjo belíssimo e triste, cujo sofrimento a toca no coração. Ela se apaixona por ele, que não é outro senão Lúcifer. Ingênua como uma menina, Eloá acredita que poderá ser a redenção do diabo e se perde para sempre no abismo do inferno.

Como muitas mulheres, infelizmente, Eloá acreditou que o amor pode tudo, até converter o mal em bem. É um mito atual, conforme apontam as estatísticas da violência contra a mulher em todo o mundo. O pior é saber que não é preciso um seqüestro de mais de 100 horas, com cobertura sensacionalista e, às vezes irresponsável, da mídia, além de um tiro na cabeça. para que as muitas eloás se percam no abismo da violência. 

imagem: katerina belkina

15 outubro, 2008

10 mulheres essenciais - 2ª parte

Sophia de Melo Breyner Andresen. Me ensina uma claridade que a minha poesia não tem.
Orides Fontela. Me ensinou o gosto pela palavra exata.

Susan Sontag. Me ensina (ainda) a ver o mundo.

Marguerite Duras. Outra professora de prosa, que conheci aos 14 anos.


Frida Kahlo. Mestre na paixão pela vida e pela sua própria arte.

10 outubro, 2008

10 mulheres essenciais - 1ª parte

ou as mulheres da minha vida

Antes de começar esse post, dedico-o a minha mãe, que lia poesia para mim quando eu era bem criança e que, como uma Sherazade, leu comigo por noites e noites, Dom Casmurro, de Machado de Assis, quando eu tinha 10 anos.

Para Mércia.

Simone de Beauvoir. Sem comentários.



Virginia Woolf. Que me fez querer escrever prosa, depois de ler Orlando, com uns 15, 16 anos.

Florbela Espanca. Que me impressionou com sua poesia passional quando eu ainda era criança.


Adélia Prado. Que me ensinou outra poesia.

Madonna. Como não? Me ensinou a não me levar tão a sério.

continua...

26 setembro, 2008

Adrienne Rich


De um poeta, diz-se, a única biografia deveria ser a data de nascimento e a data de morte. No entanto, não resistimos e procuramos esmiuçar a vida do poeta, seus gostos, desgostos, hábitos, paixões. Assim, temos que a poeta Adrienne Rich nasceu norte-americana em 1929, filha de pai judeu e mãe cristã. Tornou-se judia por opção. É defensora ardorosa dos direitos humanos, da cultura da paz e é feminista engajada pelos direitos dos homossexuais, questões que são, inclusive, vitais para a compreensão de sua obra. Publicou 17 livros de poesia e 4 ensaios. Nenhum deles publicado no Brasil, infelizmente. Em Portugal, a editora Livros Cotovia publicou, em edição bilingüe, Uma Paciência Selvagem.

Abaixo, um poema de Adrienne Rich e a minha versão para ele:

Women

My three sisters are sitting
on rocks of black obsidian.
For the first time, in this light, I can see who they are.

My first sister is sewing her costume for the procession.
She is going as the Transparent lady
and all her nerves will be visible.

My second sister is also sewing,
at the seam over her heart which has never healed entirely,
At last, she hopes, this tightness in her chest will ease.

My third sister is gazing
at a dark-red crust spreading westward far out on the sea.
Her stockings are torn but she is beautiful.

Mulheres 
Minhas três irmãs estão sentadas
sobre a obsidiana negra.
Pela primeira vez está claro
e posso vê-las.

A primeira costura uma túnica de procissão.
Ela, a Senhora Transparente,
desfilará com os nervos à mostra.

A segunda também costura 
sobre a ferida que nunca cicatriza dentro do coração.
Quem sabe agora, se alivia.

A terceira irmã avista
uma crosta vermelha e escura
(talvez púrpura)
que se lança mar afora.

Tem as meias rasgadas, essa irmã,
mas é tão linda!

(livre tradução de Micheliny Verunschk)

Para  escutar Adrienne Rich recitando o poema I dream I'm the death of Orpheus, clique aqui.

24 julho, 2008

uma mulher, uma leitura, um romance em processo


Conheço Sylvia Plath há pouco tempo. Mas sua poesia cadenciada, seu exercício de desespero traduzido em poemas que são tão confessionais quanto elaborados (e notem que essa palavra contêm uma outra: labor) e seu rigor me encantam, me fascinam. Um dos poemas de que mais gosto é Crossing The Water (Travessia, mais abaixo, em tradução de Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Arruda Mendonça):

Black lake, black boat, two black, cut-paper people.
Where do the black trees go that drink here?
Their shadows must cover Canada.
A little light is filtering from the water flowers.

Their leaves do not wish us to hurry:

They are round and flat and full of dark advice.

Cold worlds shake from the oar.

The spirit of blackness is in us, it is in the fishes.

A snag is lifting a valedictory, pale hand;

Stars open among the lilies.
Are you not blinded by such expressionless sirens?
This is the silence of astounded souls.

(Lago negro, barco negro, duas pessoas de papel picado negro.
O que as árvores buscam de beber que não encontram aqui?
Suas sombras podem cobrir o Canadá.

Uma luz leve dissolvida pelas flores d’água.
Suas folhas não desejam nossa pressa:
Curvas e lisas e cheias de negros avisos.

No rastro dos remos, mundos de gelo.
O espírito do negro está em nós, nos peixes.
Um tronco podre flutuando, pálido adeus;

Estrelas se abrem entre lírios.
Essas sereias inexpressivas não te cegam?
Esse é o silêncio das almas atormentadas).

O balanço de rio a, sua escuridão metaforizada nas figuras recortadas em papel, sua referência indireta ao Letes e à barca de Caronte o faz, para mim, um dos poemas mais bem-acabados da autora de Ariel (uma obra-prima, também).

A Sylvia suicida também me fisga. Assim como o suicídio de sua rival amorosa, Assia Wevill. Uma história trágica, maluca e intensa que mereceu uma interessante resenha da jornalista Marina Della Valle, em Cronópios, há algum tempo.

Quem acompanha esse blog desde o princípio sabe que estou escrevendo um romance cuja temática gira em torno da "morte escolhida". Não desisti dele e estou para começar o oitavo capítulo. É um trabalho difícil para mim exercitar a prosa. A poesia é meu habitat natural e embora seja difícil também, transito com mais desenvoltura por ele. A temática do romance é espinhosa também. Dolorosa, para ser mais exata. Não há como não lidar com as perdas pessoais e com as várias mortes que me habitam no trato com esse universo. Mas estou escrevendo. Continuo.

Num dos capítulos, um médico legista tem que lidar com a queda de Ásia, sua gata de estimação, do 5º andar onde moram. Ela sobrevive. Lida também com a exumação da personagem principal, Teresa, uma suposta santa suicida. Ele, Felipe C., neurótico com a queda, apesar de ter colocado rede de proteção nas janelas do apartamento, sempre fecha as janelas ao sair. No fim do capítulo, a ironia, e, digamos "homenagem" a essas (e outras) mulheres que optaram pelo ato extremo:

A primeira coisa que fez ao chegar ao apartamento, foi soltar a gata. Depois pegou uma tesoura na escrivaninha e cortou todas as redes de proteção. Pensou que poderia dar um novo nome a ela . Anne, Aída, Ana Cristina, Alejandra, Amelia. Sylvia. Mas desistiu, Ásia sempre fora o nome perfeito. O nome dela. Dava-lhe um alívio imenso vê-la tão bem, sem seqüelas, ronronando entre móveis, deitando-se, senhora do mundo, em sua cama, seu colo, seus livros. Ásia nunca pulou da janela e viveu longos e felizes 47 anos, muito acima da média de vida dos gatos.

Salve, bem-aventurada Teresa!

07 maio, 2008

Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça




São cerca de duzentas imagens de um Rio de Janeiro belo, romântico e perdido no tempo. Ou antes, preso em um tempo, o começo dos anos 60 no Brasil, quando tudo era ainda promessa de um futuro mais feliz. Quando nem se sonhava com AI-5.
Um Rio de mulheres lindíssimas, porque naturais. Como essas da foto. Nenhuma outra metáfora de frutas que não fosse Jogos Frutais, de João Cabral de Melo Neto:

De fruta é tua textura
e assim concreta;
textura densa que a luz
não atravessa.

Tudo clareza, equilíbrio e exatidão.

Veja mais em Pictura Pixel e ainda a história de como Peter Lukas resgatou essas fotografias, de Orizon Carneiro Muniz, de um mercado de pulgas na praça XV.

24 janeiro, 2008

Contra a mutilação genital feminina




Uma bela, delicada e incisiva imagem para uma realidade ainda tão dolorosa para incontáveis meninas e mulheres. Trata-se da Campanha da Anistia Internacional sueca, para a conscientização contra a mutilação genital.

Sob pretexto de tradição cultural, em cerca de 25 países do mundo a prática é tolerada. Estima-se que até 2010, 16 milhões de meninas sofrerão com este tipo violência. O medo do prazer feminino é crucial para a perpetuação desse crime. Da mutilação genital não escapam recém-nascidas, meninas, adolescentes, mulheres.

Até quando?!

uma dica do blog Síndrome de Estocolmo

03 julho, 2007

os sapatinhos diabólicos (ou sobre ser mulher)






The Red Shoes (1948), dirigido por Michael Powell e Emeric Pressburger, conta a história de Victoria Page, uma bailarina oscilante entre o amor à dança e o amor pelo regente e compositor Julian Craster. Estrela principal do ballet Os Sapatinhos Vermelhos, inspirado no trágico conto de Hans Christian Andersen, Victoria pode se tornar a melhor bailarina do mundo se renunciar à vida conforme deseja o produtor e dono da companhia para a qual trabalha, Boris Lermontov. Dois homens, a exigência da perfeição na arte e só uma escolha possível.

O conto de Andersen, conta a história de uma menina que tanto deseja os sapatos vermelhos que vê numa vitrine que, ao consegui-los, não pode mais descalçá-los, dançando até ficar à beira da morte por exaustão. Para livrar-se da maldição e do fim iminente ela pede que seus pés sejam cortados fora.

Mas, enfim, o que está em jogo nessa alegoria? A ambição em ter algo potencialmente destrutivo ou a impossibilidade de se ter tudo, amor e arte, prazer e ofício, vida e trabalho? Tanto no filme como no conto (e como na vida, creio) ainda não é dado à mulher a opção de possuir os sapatos vermelhos sem culpa e ameças de danação. Se trabalha fora e tem filhos pequenos, a legislação trabalhista ainda não conseguiu alcançar e proteger essa peculiaridade: "Que se vire nessa dança!". Se a arte lhe exige tempo, concentração e dedicação, maridos, namorados, família ou amigos queixosos de sua frieza e ambição, lhe apontarão o dedo em riste: "Que se vire nessa dança!". As revistas femininas ( e dia desses eu folheava uma) ainda ensinam a ser sexy, compreensiva, boa cozinheira, mãe presente, eficiente na carreira, tudo salpicado com uma boa pitada de submissão: "Que se vire nessa dança ou então que deixe que lhe decepem os pés!"

Acredito que toda mulher já se deparou com o dilema dos sapatinhos vermelhos. E se ainda não, em breve será. Eu também já me deparei e não uma única vez. Mas me recuso a tirá-los. Me recuso a ficar sem pés. Me recuso a deixar de ter prazer na vida. Me recuso a deixar de ser quem sou.Sei que às vezes isso pode doer tanto quanto andar sobre mil facas afiadas, como diria a Sereiazinha, outro personagem trágico de Andersen. E sigo com meus belos e diabólicos sapatinhos vermelhos, porque só assim sou poeta.

(Quanto ao filme, é lindo. A seqüência do ballet (cerca de 18 minutos) é uma das mais bonitas do cinema. Moira Shearer, bailarina escocesa, como protagonista é divina. A interpretação dos atores que se aproxima em muito do teatro e dos filmes do cinema mudo em seus gestuais soma uma certa qualidade de farsa à trama.Imperdível!)

créditos: frame do filme The Red Shoes

22 março, 2007

Hoje recebi flores


Não é o meu aniversário ou nenhum outro dia especial; tivemos a nossa primeira discussão ontem à noite e ele me disse muitas coisas cruéis que me ofenderam de verdade. Mas sei que está arrependido e não as disse a sério, porque ele me enviou flores hoje. E não é o nosso aniversário ou nenhum outro dia especial.



Ontem ele atirou-me contra a parede e começou a asfixiar-me. Parecia um pesadelo, mas dos pesadelos acordamos e sabemos que não são reais. Hoje acordei cheia de dores e com golpes em todos lados. Mas eu sei que ele está arrependido, porque me enviou flores hoje. E não é Dia dos Namorados ou nenhum outro dia especial.


Ontem à noite bateu-me e ameaçou matar-me. Nem a maquiagem ou as mangas compridas poderiam ocultar os cortes e golpes que me ocasionou desta vez. Não pude ir ao emprego hoje porque não queria que percebessem. Mas eu sei que está arrependido porque ele me enviou flores hoje. E não era Dia das Mães ou nenhum outro dia especial.


Ontem à noite ele voltou a bater-me, mas desta vez foi muito pior. Se conseguir deixá-lo, o que é vou fazer? Como poderia eu sozinha manter os meus filhos? O que acontecerá se faltar o dinheiro? Tenho tanto medo dele! Mas dependo tanto dele que tenho medo de o deixar. Mas eu sei que está arrependido, porque ele me enviou flores hoje.


Hoje é um dia muito especial: É o dia do meu funeral. Ontem finalmente conseguiu matar-me. Bateu-me até eu morrer. Se ao menos eu tivesse tido a coragem e a força para o deixar... Se tivesse pedido ajuda profissional... Hoje não teria recebido flores!


(extraído do blog Tabacaria, de Elvira e João)