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15 fevereiro, 2010

o que você acha de moda?



Venho me interessando cada vez mais pelo tema moda. Não apenas pela alta costura, mas pela moda que está nas ruas, que cerca até quem se diz avesso ao tema. Confesso que, a princípio, vi com desconfiança esse meu interesse, afinal a moda leva consigo o estigma do descartável e eu sempre fui daquelas pessoas que se quis acima de moda e do seu quase sinônimo pouco lisonjeiro, modismos. Enfim, o fato é que há um tempo (coisa de um ano mais ou menos) venho me interessando mais por moda, por seus códigos, sua história e representações. Enfim, tudo isso é para indicar um livro incrível o qual estou acabando de ler (em paralelo com o saramaguiano elefante). Trata-se do livro Roupa de Artista- O vestuário na obra de arte (Imprensa Oficial, 2009), de Cacilda Teixeira da Costa, que faz um apanhado histórico sobre a relação entre o vestir-se/ornar-se e suas representações na arte. Com um olhar dedicado também ao Brasil, a autora aborda, entre outros, Arthur Bispo do Rosário, Hélio Oiticica, Nelson Leirner. Em termos de ilustrações, o livro é generoso. Enfim, para quem gosta de história, de arte, e para quem gosta de moda.

Fica a pergunta para você que me lê, a promessa de que em breve tem um texto meu sobre arte/moda/cotidiano saindo e, na galeria, a obra da ilustradora Sandra Suy, que transita por esse universoo fashion com uma elegância e talento ímpares...

02 fevereiro, 2009

Na Galeria do Ovelha Pop, esse mês...


... O Alfabeto do Bom Cidadão, texto de Bertrand Russel e ilustrações (magníficas) de Franciszca Themer. É para rir e para pensar.



Acompanhem, até o final do mês a Galeria do Ovelha Pop exporá a obra completa, começando, claro, pela letra A.


14 dezembro, 2008

breves comentários sobre 2008

A eleição de Barack Obama


Torci, e muito, para que Barack Obama fosse eleito presidente dos EUA. Acho que é um momento histórico único e fiz coro com o resto do mundo: Yes, we can!


No entanto, acho que eleger uma pessoa negra como presidente da "maior potência política e bélica" apenas em 2009, já no século XXI, só demonstra o quanto ainda estamos atrasados em questões de direitos civis iguais e oportunidades para todos.


Acho que sim, há muito o que se comemorar, mas sem perder de vista de que ainda há muito o que se conquistar em termos de cidadania e garantias para as minorias.


Uma outra coisa. Não dá para esquecer que Obama é presidente de uma nação autoritária e de longo histórico intervencionista. Ele não fará milagres e tem um trabalho árduo pela frente, principalmente porque as expectativas são muitas. Então, creio, que não é demais dizer ao mundo: devagar com o andor!


Sobre a banalização da violência
Na semana que passou, o júri popular absolveu um dos policiais militares que fuzilou o menino carioca João Roberto, de 5 anos, sem chances de fuga ou de defesa ao confundir o veículo da família com outro carro que perseguiam.

Quando o povo dá, assim, passe livre para matar, é porque realmente a sociedade está muito doente. Isso é escandaloso! Não apenas a absolvição em si, mas o fato de que vive-se numa cadeia antropofágica em que, bobeou, você é devorado debaixo das palmas do público faminto.

E não importa se é uma criança, um bandido, um transeunte descuidado. Como vive-se em função do medo, qualquer saraivada de balas se justifica.

O Rio de Janeiro é uma metáfora do Brasil:
Viva o carnaval! A família real! A fama instântanea e o futebol!
Pim, Pam, Pum! Cada bala mata um! Puxa o rabo do tatu! Quem saiu foi tu!

A 28ª Bienal e a falácia do contato com a vida
Não fui à Bienal, por absoluta falta de tempo. Entretanto tenho acompanhado os lances da prisão da pichadora Caroline Pivetta, presa há quase dois meses por pichar um salão em branco que, "conceitualmente", estaria aberto à manifestação e performances de artistas (artistas convidados, diga-se de passagem).

Seria, "conceitual e teoricamente" um espaço aberto à arte viva.

Seria, falsamente ( e muito falsamente) , um lugar aberto a manifestações viscerais.

Caroline fez parte de uma ação da qual participaram vários pichadores. Jovens, que se comunicam com a cidade e a sociedade com seus garranchos e garatujas, é verdade, mas que transformam os espaços urbanos, de fato, em espaços vivos, em lugares ocupados. Se sua comunicação é vazia, como acusam muitos, nem por isso é menos legítima que a comunicação dos chamados artistas contemporâneos ou de vanguarda. E por que seria? Por que não a compreendemos?

Quando se joga o poder de polícia e de repressão em jovens que, sim, tem algo a dizer, por mais incompreensível que seja, só se aprofunda o fosso entre aqueles que deveriam ser iguais entre si.

Em tempo, só Caroline está presa e a parede pichada foi repintada sem qualquer dano ao patrimônio público.

(Para assinar a petição por sua liberdade, clique aqui)

16 outubro, 2007

Mas qual é a direção?

[ post dedicado a Lelê e ao Alice me Persegue]


O coelho, mitologicamente, liga-se à Hécate, a Lua.

É também a imagem do sexo exuberante e da fertilidade, da abundância inesgotável.

É ainda símbolo do Cristo e da ressureição.

Do coelho atrasado de Alice ao coelho da Playboy, de Pernalonga a Peter Rabbit, sua imagem se multiplica em nosso imaginário.

Mágico, adorável, sensual e bizarro eis, que saindo da cartola, temos...

o coelho!

[adela leibowitz]


[aya takano]

[catherine servel]

[cynthia consentino]

[t-shirt white alice]

[patricia waller]

[polly borland]

[run wraker]

[rune olsen]

[louise hindsgavl]

mais em Bunnylicious

29 junho, 2007

um olhar responsável e belo





Bansky
, artista britânico.

Eu poderia dizer "artista de rua" ou "artista urbano" ou grafiteiro. Pouco importa a adjetivação. Arte é arte e seu papel principal é o de ser (sempre) uma "màquina de comover". E isso ele faz. Engajado sem ser panfletário ele toma questões delicadas como o conflito entre palestinos e israelenses como matéria-prima para sua obra. São extremamente fortes as imagens que ele grafitou no muro que separa Israel e Palestina. Nessas imagens, ele abre "janelas" como possibilidade de beleza para o espectador.


Fortes e provocativos também são os seus ratos, os guardas da rainha se beijando na boca, a rainha Vitória recebendo sexo oral. Para mim, um dos artistas mais vigorosos dos últimos tempos.