10 agosto, 2009


O Espelho de Borges

 

Em uma jaula de vidro

repousa um homem

que não vê,

mas é visto.

 

O observam

as coisas inanimadas,

as trevas

a os móbiles

de onde pendem

transluminosas

palavras.

 

O trem

envolto na bruma azul

do calendário

confunde-se com o homem,

seu sono de mármore,

seu hálito.

 

Confunde-se com o homem

até a palavra em negro

Fevereiro

o musgo dos números

a pedra dos domingos

em vermelho.

 

Confunde-se com o homem

tudo o que não vê,

mas o cerca,

o que de fora da moldura

respira e observa. 


(Micheliny Verunschk, in: Geografia Íntima do Deserto, Landy, 2003)

4 comentários:

sidnei olívio disse...

Cara Micheliny, aprecio muito seus poemas e gostaria de adquirir seu livro "Geografia Íntima do Deserto", do qual tenho ouvido falar muito bem. Até o título é fantástico...
Por favor, me diga como faço, ok?
Abs.,
Sidnei
(olivio@ibilce.unesp.br)

Andréa M. disse...

muito, muito, muito bom! :)
despertou uma vontade em mim de ler mais.

Abraços,

Andréa

Blog do Edezilton disse...

Também gostaria de saber como adquirir seu livro "Geografia íntima do deserto". Diga-se como adquiro: edezilton@hotmail.com

Penetralia disse...

Adorei. Vou citar lá no meu blog e indicar o seu tá? Vim aqui a partir do Wilson...

Abs do Lúcio Jr.