15 fevereiro, 2007

o fim do mundo?

Será mesmo que esse novo século verá o fim, se não dos livros, da leitura? Sei que o número de sites e blogs cujo eixo é a literatura cresce vertiginosamente e sei também que as bancas estão abarrotadas de pocket books e revistas especializadas. Sei que a democratização do acesso é palavra de ordem.

Mas e a leitura,espaço de intimidade entre livro e leitor, resistirá à barbárie midiática? Será que esse espaço, regido por um tempo-outro, subsistirá à pressa de "olhos de passagem", olhos que zapeiam entre uma tela e outra? Será possível fruir de um prazer tão interior, tão pessoal e intransferível, nesse século do grande espetáculo coletivo?

Em carta a um Borges já falecido, Susan Sontag diz:

Lamento ter de dizer a você que os livros hoje, são tidos como uma espécie ameaçada. Por livros, refiro-me também às condições de leitura que tornam possível a literatura e seus efeitos na alma (...) Quando os livros se tornarem "textos" com que "interagiremos" segundo o critério da utilidade, a palavra terá se transformado simplesmente em mais um aspecto da nossa realidade televisual regido pela publicidade. Esse é o glorioso futuro que está sendo criado e prometido para nós, como algo mais "democrático". É claro, isso significa nada menos que a morte da interioridade - e do livro.

Sinceramente, chego quase a concordar com Susan.

A internet, que paradoxalmente nos tranforma em máquinas de leitura, muda os nossos padrões em níveis profundos. Muda nossa percepção espacial e, talvez, chegue a mudar nossos critérios de gosto. Não sei se a leitura, como a conhecemos hoje, passará sem arranhões por todas essas transformações. Temo apenas é que, leitores minimalistas que nos tornamos, percamos um modo de ser que é incrível, violento, amoroso, demolidor, refinado e extremamente libertário. O modo de estar em livros.

Um comentário:

paulo de toledo disse...

oi, micheliny.
legal te ver aqui no espaço-tempo blogueiro.
depois vou divulgar teu blog lá no meu barraco virtual.
abrações