09 abril, 2011

De A Cartografia da Noite


Sala

Na sala do dentista
o crânio
de riso aberto
tudo observa,
lua amarela,
absorta
no real.

Eu,
debaixo de uma língua
inexistente.

Eu,
dissolução.
A anestesia,
a hemorragia
controlada em algodões.

O Outro.
A polpa
de sangue
da fruta sobre o prato,
um santo degolado,
envolto em cetim
branco.

Eu,
uma palavra
engasgada
envolta em gaze.

O Outro
entre instrumentos
mais próprios à poesia.

O Outro
rindo de mim,
máscara inquebrável.

2 comentários:

Dáfni disse...

Tortura, né? Nunca gostei de dentista... (rs)

Beijos

Geraldo de Barros disse...

gostei bastante desse livro, Micheliny. parabéns!

bjs
G