29 outubro, 2007

Ser ou não ser

Ser homossexual é ou não uma questão de escolha? Para o Ministério da Igualdade de Oportunidades, na Toscana, Itália, não é escolha. Tanto que sua mais recente campanha publicitária estremeceu os conservadores tanto na Itália quanto fora dela. Trata-se de uma foto de um bebê (veja abaixo), cuja pulseira de identificação traz, ao invés do nome, a palavra por tantos temida: Homossexual. Ao lado, uma frase resume tudo: Orientação sexual não é escolha.

Se é uma questão de opção ou se não é, não sei, mas tenho lá minhas teorias e como não sou cientista ou algo que o valha, não vou ficar discutindo-as aqui. Mas uma coisa, é certa: existe escolha para outras coisas. Você pode escolher ser ou não homofóbico. Você pode escolher ser ou não preconceituoso. Você pode ou não se arvorar de juiz da vida alheia a julgar quem quer que seja pelo que faz na intimidade de quatro paredes.

Abomino o preconceito, seja ele de que espécie for e abomino a homofobia com um grau a mais de indignação. Tenho bons amigos gays, bi e pansexuais. Um dos casamentos mais lindos que já vi na vida foi o de um casal de amigos, sim dois homens, no qual fui madrinha. Desse mesmo casal tenho uma fotografia de um dos beijos mais ternos e cheio de encantamento. E por que isso choca? Sinceramente, não sei. Mas desconfio.

Muitas pessoas são mal resolvidas com seus medos, com sua própria sexualidade, com suas dúvidas a respeito da vida. Para ter segurança, buscam uma âncora que pode ser a moral, a religião, o preconceito, a política, seja o que for. Tudo na vida pode servir de muleta. Se agarrando a qualquer âncora é mais fácil acreditar em verdades pré-estabelecidas e daí, se perde o olhar amoroso pelo outro. Não vou falar de tolerância porque detesto essa palavra. Tolerância, na minha opinião, sustenta um gesto de arrogância de alguém que se acha superior ao outro e, por isso, o "tolera". Prefiro mesmo falar em olhar amoroso.

Gostei da campanha italiana. O ponteiro ético que me norteia aprova-a. A imagem discursa contra a discriminação de forma ao mesmo tempo contundente e comovente. Exige uma atitude de respeito à vida, às escolhas, à natureza humana, essa tão frágil e tão forte, tão conhecida e, ao mesmo tempo, tão misteriosa. O bebê rotulado (que já ganhou fama como o "bebê gay") pede um fim às gavetas e etiquetas com que se costuma marcar os outros. Lembra que é apenas uma criança, do mesmo modo que um homem ou mulher "gays" são, antes de qualquer coisa, um homem e uma mulher.

2 comentários:

NOS CAMPOS EUROPEUS disse...

Olá Micheliny!
Quero deixar aqui um convite para que visite o www.folhaderosto.com

cordial abraço - silvino

Ivon disse...

Oi,Pastora-menina.

Salue!

Nunca pode realmente ser "escolha" aquilo q sentimos como "opção" única, como formato e configuração únicos, como vir-a-ser o uno.

Escolhas desse tipo existem p quem anda incansável ao longo do Indeciso: precisa-se sempre o duplo do ato ou o avesso do fato.

Amo-te cada vez mais, sempre.

(Qndo vem seu novo livro novo, o d contos?... ando ansioso... rs)

Bjs imensos.