02 maio, 2007

Sobre meu romance e um encontro inesperado com Deus

Comecei o segundo capítulo do meu romance. Esse capítulo trata do surgimento da cidade de V., que por sua vez se liga à criação do cemitério do lugar. Visitei várias páginas da rede (vou colocar os links) e tenho uma boa referênca visual de cemitérios pelos quais passei ao longo da vida. Mas ainda não tinha ido ao cemitério do Araçá, daqui da Paulicéia Desvairada. Esse, particularmente, sempre me fascinou pois sempre que vou à Paulista ou a qualquer lugar por aqueles lados, passo por ele. Nunca entrei. Mas me encanta a imagem de alguns santos e anjos de costas para o burburinho da avenida Dr. Arnaldo. Ignorando a cidade, penso eu.

Domingo passado, finalmente, o visitei.

Foi aí que encontrei o túmulo de Osman Lins. Eu não sabia que ele estava sepultado aqui e encontrá-lo, durante uma pesquisa de campo para o meu romance, me encheu de alegria e emoção. Quem acompanha esse blog desde o início sabe que decidi que Osman Lins é Deus. E assim sendo acredito que esse encontro nosso foi urdido por ele.

No seu túmulo, num jazigo discreto no qual parei em frente, está escrito, como não poderia deixar de ser: SATOR AREPO TENET OPERA ROTAS, palíndromo que o narrador de Avalovara traduz por "O lavrador sustém cuidadosamente a charrua nos seus sulcos" ou "O Lavrador sustém cuidadosamente o mundo em sua órbita".

Sim, o Lavrador sustém cuidadosamente o mundo em sua órbita.

Em breve, coloco aqui um trecho do segundo capítulo.



(O Quadrado Mágico Sator . Sob esse signo, Osman Lins edifica Avalovara. Para saber mais sobre ele visite Roteiro Romanceado)

10 comentários:

Anônimo disse...

Micheliny,
fico tão feliz em encontrar aqui uma parceira de deus! Aliás, comemorei hoje a notícia de que meu artigo (trecho da dissertação) sobre Osman Lins foi aprovado e será publicado na próxima Kalíope.
E quando mesmo a gente toma outro cafezinho/convescote daqueles?
Beijos,
Marta

Paulo disse...

oi!
curioso vc fazer um livro q trata tb de cemitérios e que, por conseguinte, fala da morte. meu amigo ademir demarchi acaba de publicar um livro, "os mortos na sala de jantar", que, como o nome já sugere, tb tem como tema a morte.
falo alguma coisa sobre o livro no meu blog. qdo puder, passe lá.
baci

Cibele Barzaghi disse...

Olá Micheliny

Que horas passa esse desenho? Me escreve um email ou ligue para conversarmos, pois não entendi o que precisa.

Beijo
email zaghy@bol.com.br
cel 81613707

Cibele

Cibele Barzaghi disse...

Olá Micheliny

Achei o Charlie e a Lola no google, já sei quem são. Gostaria de confirmar o seu pedido:

"Você quer a Boneca da Lola(que tamanho?)com 2 peças de roupa? O que seria, calça, blusa, saia, vestido???Ou quer um panô com a Lola??? Vou pensando sobre o orçamento.Pode me ligar se tiver alguma dúvida...

Aguardo resposta e obrigada pelos elogios.

Beijos
Bel

Thiago Rosenberg disse...

Etimologicamente, ou anagramalogicamente, ou nonsenselogicamente, podemos dizer que Osman Lins, ou Osman da Costa Lins, seu nome completo, é não apenas Deus, mas também o demônio.

Veja só:

OSMAN DA COSTA LINS = SATAN

OSMAN DA COSTA LINS = ADONAI (Senhor, em hebraico)

thiago rosenberg, mais uma vez disse...

"Deus e o Diabo no Cemitério do Araçá". Pode virar filme!

ana rüsche disse...

oi, micheliny!

não sabia de tua aventura em prosa, como sou desligada! pois bem certo acrescentar isso ainda àquele artigo, que se demora, um dia sai.

beijo grande

Micheliny Verunschk disse...

Muito bom, Thiago!!! Desconfio que são a face da mesmíssima moeda. Aliás, depois disso tenho quase certeza...Um beijo!

Fernanda disse...

Morei do lado de Deus e nem sabia. :) Beijos.

Wesley Peres disse...

está romanceando, Micheliny? Fico curioso para ver. coisa boa vem por aí. Vi que vc cita o Sebald abaixo, Os Emigrantes. Pelo que vc comentou do segundo capítulo do seu romance, o Sebald deve ser, digamos, um forte ponto de intertextualidade para o seu livro, não?
O Osman é Deus, é? rs Se não for O, é pelo menos, um. rs
Estou lendo um romance impressionante, O Mar, de John Banville. O livro começa com "Os deuses partiram no dia daquela maré estranha". E a morte e a dissolução está debaixo de cada vírgula do livro. Desconfio que esse irlandês tem, ao menos, parte com Deus. ou com o Diabo rs.
abção